Nossos vieses cognitivos refletem na sociedade e nos dados que geramos

A vida em sociedade é diretamente influenciada pela maneira como interagimos e como nossas crenças, opiniões e virtudes são compartilhadas. O infográfico “50 Cognitive Biases to Be Aware of” foi criado e publicado originalmente pela TitleMax e apresenta diversos vieses que estão impregnados em nós. É interessante perceber que o viés do algoritmo e, consequentemente, as respostas da Inteligência Artificial Generativa representam o modo como pensamos e agimos em sociedade.

Vieses de Julgamento e Atribuição

1) Erro de Atribuição Fundamental (Fundamental Attribution Error): Julgamos os outros por sua personalidade ou caráter, mas julgamos a nós mesmos com base na situação. Exemplo: A Ana chega atrasada na aula: ela é “preguiçosa”. Você chega atrasado: “foi uma manhã difícil”.

2) Viés de Autoconveniência (Self-Serving Bias): Nossos fracassos são vistos como culpa das circunstâncias, mas nossos sucessos são mérito totalmente nosso. Exemplo: Você ganhou o prêmio por causa do seu trabalho duro, e não por sorte. Mas foi mal no teste porque “não dormiu bem”.

3) Favoritismo Intragrupal (In-Group Favoritism): Tendemos a favorecer pessoas que pertencem ao nosso próprio grupo em detrimento de quem é de fora. Exemplo: O Francisco frequenta a mesma igreja que você, por isso você gosta mais dele do que da Ana.

4) Efeito Manada (Bandwagon Effect): Ideias e crenças se espalham à medida que mais pessoas as adotam9. Exemplo: A Ana acha que fidget spinners ajudam os filhos; o Francisco passa a acreditar também.

5) Pensamento de Grupo (Groupthink): Pelo desejo de harmonia, tomamos decisões irracionais apenas para evitar conflitos no grupo. Exemplo: Ana quer sorvete, Francisco quer camisetas. Você sugere comprar camisetas com estampas de sorvete para não brigar.

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6) Efeito Halo (Halo Effect): Se vemos uma pessoa com um traço positivo, achamos que tudo nela é bom (também vale para traços negativos). Exemplo: “A Taylor jamais seria grossa; ela é tão bonitinha!”.

7) Sorte Moral (Moral Luck): Atribuímos um melhor status moral a quem teve um resultado positivo e um pior a quem teve um resultado negativo. Exemplo: “A cultura GEN X venceu a guerra porque era moralmente superior aos perdedores”.

8) Falso Consenso (False Consensus): Acreditamos que muito mais pessoas concordam conosco do que a realidade mostra. Exemplo: “Todo mundo pensa assim!”.

9) Maldição do Conhecimento (Curse of Knowledge): Depois que aprendemos algo, assumimos que todos os outros também já sabem. Exemplo: Alice é professora e tem dificuldade em entender a visão de seus novos alunos.

10) Efeito Holofote (Spotlight Effect): Superestimamos o quanto as pessoas estão prestando atenção à nossa aparência ou comportamento. Exemplo: Ana está preocupada que todos notem como sua camiseta de sorvete é cafona.

Vieses de Percepção e Realidade

11) Heurística de Disponibilidade (Availability Heuristic): Confiamos em exemplos imediatos que vêm à mente ao fazer julgamentos. Exemplo: Ao escolher uma loja, você vai na primeira que lembrou por causa de um anúncio recente.

12) Atribuição Defensiva (Defensive Attribution): Quando tememos ser vítimas de um azar, culpamos menos a vítima e mais o agressor se nos identificarmos com a vítima Exemplo: Ana parou no sinal verde porque estava no celular e levou uma batida. Greg, que também dirige usando o celular, brigou com quem bateu nela.

13) Hipótese do Mundo Justo (Just-World Hypothesis): Acreditamos que o mundo é justo; logo, assumimos que injustiças são merecidas. Exemplo: “A bolsa da Ana foi roubada porque ela foi chata e teve um carma ruim”.

14) Realismo Ingênuo (Naive Realism): Acreditamos que vemos a realidade como ela é, e que os outros são irracionais ou tendenciosos. Exemplo: “Eu vejo o mundo como ele realmente é — os outros é que são burros”.

15) Cinismo Ingênuo (Naive Cynicism): Acreditamos que os outros agem por puro interesse próprio, mais do que eles realmente agem. Exemplo: “A única razão para essa pessoa ser legal é para tirar algo de mim”.

16) Efeito Forer ou Efeito Barnum (Forer Effect / Barnum Effect): Nos identificamos com descrições de personalidade muito vagas (como horóscopos). Exemplo: “Este horóscopo descreveu minha vida perfeitamente!”.

17) Efeito Dunning-Kruger (Dunning-Kruger Effect): Quanto menos você sabe, mais confiante se sente; quanto mais sabe, menos confiante fica. Exemplo: Francisco garante ao grupo que não vai alga no sorvete, embora não entenda nada de laticínios.

Vieses de Decisão e Memória

18) Ancoragem (Anchoring): Confiamos demais na primeira informação apresentada (a “âncora”) ao tomar decisões. Exemplo: “Isso está com 50% de desconto? Deve ser um ótimo negócio!”.

19) Viés de Automação (Automation Bias): Confiamos excessivamente em sistemas automatizados, aceitando correções até quando estão erradas. Exemplo: O corretor do celular muda uma palavra certa para uma errada e você assume que ele está correto.

20) Efeito Google ou Amnésia Digital (Google Effect / Digital Amnesia): Esquecemos informações que podem ser facilmente encontradas no Google. Exemplo: “Qual era o nome daquele ator? Já pesquisei umas oito vezes”.

21) Reatância (Reactance): Fazemos o oposto do que nos dizem para proteger nossa sensação de liberdade. Exemplo: Um aluno da Alice se recusa a fazer o dever só porque a professora e os pais mandaram.

22) Viés de Confirmação (Confirmation Bias): Buscamos e lembramos apenas de informações que confirmam o que já acreditamos. Exemplo: Você acredita em uma teoria da conspiração e ignora todas as provas que mostram que ela é falsa.

23) Efeito Tiro pela Culatra (Backfire Effect): Quando nos mostram provas contra nossa crença, acabamos acreditando nela com ainda mais força. Exemplo: “As provas contra minha teoria foram forjadas pelo governo”.

24) Efeito de Terceira Pessoa (Third-Person Effect): Achamos que os outros são influenciados pela mídia, mas que nós somos imunes. Exemplo: “Você claramente sofreu lavagem cerebral da mídia!”.

25) Viés de Crença (Belief Bias): Julgamos um argumento não pela sua lógica, mas pelo quanto a conclusão nos agrada. Exemplo: Você aceita uma teoria sem provas só porque ela apoia o que você já pensava.

26) Cascata de Disponibilidade (Availability Cascade): Crenças ganham força conforme são repetidas publicamente (pelo medo de ser excluído do grupo). Exemplo: Boatos sobre substância em doces no Halloween fizeram cidades inteiras pararem de dar guloseimas caseiras.

Vieses de Perspectiva e Valor

27) Declinismo (Declinism): Tendência a romantizar o passado e achar que o futuro será pior. Exemplo: “No meu tempo, as crianças tinham mais respeito!”.

28) Viés do Status Quo (Status Quo Bias): Preferimos que nada mude; qualquer mudança é vista como uma perda. Exemplo: Ana prefere não trocar de aplicativo mesmo que ele invada sua privacidade, só para não ter trabalho.

29) Falácia do Custo Irrecuperável (Sunk Cost Fallacy): Continuamos investindo em algo que não funciona só porque já gastamos tempo ou dinheiro nele. Exemplo: “Já gastei tanto nisso que vou até o fim, mesmo que dê errado”.

30) Falácia do Apostador (Gambler’s Fallacy): Achar que eventos passados influenciam a sorte em eventos aleatórios. Exemplo: Alice perdeu 9 vezes no cara ou coroa e tem certeza que ganhará na próxima.

31) Viés do Risco Zero (Zero-Risk Bias): Preferimos eliminar um risco pequeno totalmente do que reduzir um risco grande de forma mais eficiente. Exemplo: “É melhor você pagar pela garantia estendida”.

32) Efeito de Enquadramento (Framing Effect): Tiramos conclusões diferentes da mesma informação dependendo de como ela é dita. Exemplo: Alice ouve que seu candidato tem 49% de aprovação e acha bom; Ana ouve que ele está “decepcionando” (com os mesmos 49%) e acha ruim.

33) Estereotipagem (Stereotyping): Generalizar características sobre um grupo sem conhecer o indivíduo. Exemplo: “Aquele cara de bigode deve ser hipster e ter coleção de discos de vinil”.

34) Viés de Homogeneidade Exogrupal (Outgroup Homogeneity Bias): Achamos que as pessoas de fora do nosso grupo são todas iguais, mas que o nosso grupo é diverso. Exemplo: Alice não joga nada e acha que “todo gamer é igual”.

35) Viés de Autoridade (Authority Bias): Somos mais influenciados por opiniões de figuras de autoridade, independentemente do conteúdo. Exemplo: “Meu professor disse que isso é verdade, então deve ser”.

Outros Fenômenos Psicológicos

36) Efeito Placebo (Placebo Effect): Se acreditamos que um tratamento funciona, nosso corpo pode sentir uma melhora real. Exemplo: Alice tomou uma pílula de farinha achando que era remédio e sua dor passou.

37) Viés de Sobrevivência (Survivorship Bias): Focamos em quem teve sucesso e ignoramos os muitos que falharam usando a mesma estratégia. Exemplo: Greg diz que o negócio da Ana dará certo porque uma marca famosa usou o mesmo plano, ignorando 10 outras que faliram assim.

38) Taquipsiquia (Tachypsychia): A percepção do tempo muda devido a traumas ou grande esforço. Exemplo: “Quando o carro quase me pegou, o tempo pareceu passar em câmera lenta”.

39) Lei da Trivialidade (Law of Triviality / Bike-Shedding): Damos importância exagerada a problemas bobos enquanto evitamos os complexos. Exemplo: A prefeitura gasta horas discutindo a cor de um bicicletário em vez de resolver a situação dos sem-teto.

40) Efeito Zeigarnik (Zeigarnik Effect): Lembramos muito mais de tarefas inacabadas do que das que já terminamos. Exemplo: Greg se sente culpado por “não fazer nada”, até olhar sua lista e ver tudo o que já concluiu.

41) Efeito IKEA (IKEA Effect): Valorizamos muito mais as coisas que nós mesmos ajudamos a montar ou criar. Exemplo: “Não é lindo esse vaso? Eu mesmo pintei!”.

42) Efeito Ben Franklin (Ben Franklin Effect): Gostamos de fazer favores; estamos mais dispostos a ajudar novamente alguém para quem já fizemos um favor. Exemplo: Greg emprestou uma caneta ao Francisco; depois, emprestou 10 reais com facilidade.

43) Efeito do Espectador (Bystander Effect): Quanto mais gente por perto, menos provável que alguém ajude uma vítima. Exemplo: Em uma multidão, ninguém ligou para a polícia quando alguém se machucou em uma briga.

44) Sugestionabilidade (Suggestibility): Confundimos sugestões de quem faz perguntas com memórias reais (comum em crianças). Exemplo: “Você caiu do sofá antes ou depois da sua mãe bater em você?”.

45) Falsa Memória (False Memory): Confundimos imaginação com memórias reais. Exemplo: Greg jura que a Ana contou uma piada, mas ele a viu na TV.

46) Criptomnésia (Cryptomnesia): Confundimos memórias reais com imaginação. Exemplo: Greg acha que visitou um cemitério, mas acredita que foi apenas um sonho.

47) Ilusão de Agrupamento (Clustering Illusion): Encontramos padrões em dados que são totalmente aleatórios. Exemplo: “Aquela nuvem parece o seu gato, Alice!”.

48) Viés de Pessimismo (Pessimism Bias): Superestimamos a chance de tudo dar errado. Exemplo: “Nada nunca vai melhorar”.

49) Viés de Otimismo (Optimism Bias): Somos excessivamente otimistas sobre bons resultados. Exemplo: “Vai dar tudo certo!”.

50) Viés do Ponto Cego (Blind Spot Bias): Achamos que não temos preconceitos, mas os vemos facilmente nos outros. Exemplo: “Eu não sou nem um pouco tendencioso!”

O infográfico “50 Cognitive Biases to Be Aware of” foi criado e publicado originalmente pela TitleMax. Então, quais desses viéses você tem? Deixe seus comentários.

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